Ulisses Correia e Silva: “O Reino Unido saiu? Nós entramos”

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No congresso do PPE, em Malta, o primeiro-ministro de Cabo Verde ofereceu-se, na brincadeira, para substituir o Reino Unido na UE.

O primeiro-ministro de Cabo Verde foi chamado a falar num evento do Congresso do PPE, na iniciativa EPP Talks, em La Valeta, Malta. “Sei que é um dia triste para a Europa, porque o Reino Unido saiu, mas não seja por isso, nós entramos. Estamos in.”, disse Ulisses Correia e Silva em tom de brincadeira.

Cabo Verde é um país africano e por isso houve sorrisos por toda a sala, mas nem tudo é brincadeira: em breve, até euros vão poder circular em Cabo Verde.

Ulisses Correia e Silva falou em português, já que, com humildade, reconhecia não ter o suficiente domínio do Inglês para se exprimir da forma que queria. Humildade redobrada: foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, que foi fazendo a tradução, num tom profissional. Antes disso, Ulisses Correia e Silva ainda falou um pouco em inglês, mais uma vez captando a atenção da assistência, lembrando que dizem que todos os cabo-verdianos tocam um instrumento. “It’s true. I play guitar. Luís [apontando para o ministro] play’s doors bells“. (“É verdade. Eu toco guitarra, o Luís toca às campainhas”).

Falando mais a sério, já fora da conferência, o primeiro-ministro de Cabo Verde lembra ao Observador que o país tem “há já algum tempo uma boa parceria com a União Europeia, construindo várias pontes“. E explica: “Começámos em 1998 com o PEC fixo do escudo em relação ao Euro, reconhecido pelo Ecofin, reduzimos ou eliminámos os riscos cambiais de transacções com a Europa. Vamos implementar um programa de supressão de vistos para cidadãos da União Europeia. E temos um projecto de circulação do euro na economia cabo-verdiana. Vai-se suprimir assim mais uma barreira que é a da circulação monetária.”

Ulisses Correia e Silva diz, assim, que está “pronto para o in: é evidentemente que não somos um país europeu, e reconhecemos isso, mas as relações entre Cabo Verde e a União Europeia podem ir até onde for possível ir. Relativamente, não só a esta integração de espaços, mas Cabo Verde ter uma utilidade também dentro da região africana em que se insere, quer no domínio da estabilidade, da segurança, da promoção de valores comuns. Portanto, podemos ser úteis nesta ponte entre a Europa e África.”

Fonte: Observador